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02/05/2007

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Catchup na Pizza - Padrões culturais gastronômicos variam de país para país, de Estado para Estado e, cada glutão prefere um tempero a outro.                                                                                                                                                    Por: Viviane Fuentes                                                                   

 

 

Lá que não é acolá!

Na Espanha, tem-se o hábito de misturar refrigerante ao uísque, Sprite ou Coca-Cola – para os apreciadores de um bom Bourbon isso é heresia, uísque se bebe puro ou on the rocks.

Na Itália, não se ousa fatiar o espaguete da mama, somente o garfo, assim como fazem os camponeses desde os primórdios – em outros países, a colher serve de apoio para o garfo.

Pela etiqueta (universal) é deselegante passar o pão no fundo do prato. Na França, capital símbolo dos bons modos, há um paradoxo, seu povo sabe que o segredo de uma boa cozinha está no molho, e se o molho é bom...

E que tal catchup na pizza? Entre São Paulo e Salvador, a opinião diverge.

"Meu rei" e "Ô, meu"

A maioria dos paulistanos não tem o hábito de colocar catchup na pizza “Isso não se faz” bradaria um conterrâneo indignado - sua cidade porta grande influência italiana e é conhecida por suas excelentes pizzarias.

Décadas atrás, as pizzarias de Salvador serviam pizza parecida como aquelas de padaria - que são gostosas, mas não são pizzas. Talvez por isso o hábito do baiano de colocar catchup na pizza, para dar vida ao sabor duvidoso?

O condimento, a base de soja, descendente do chinês “ke-tsiap”, uma espécie de molho para peixe, passou pela Malásia e Indonésia e, somente ao chegar nos Estados Unidos, no século XIX, foi acrescentado o tomate.

Molho vermelho que alguns suíços, quando crianças, usavam na comida que não gostavam, e que os americanos, que têm sua comida reconhecida como “sem gosto”, utilizam em quase tudo.

Um baiano da gema diria em tom espirituoso que seu povo usa catchup na pizza porque não combina com óleo de dendê (senão era dendê mesmo?!). O outro diria que quem nasce sob o signo da Bahia gosta de misturar sabores.

Mas, para surpresa, paulistanos da Mooca revelariam que adoram pizza com catchup e com mostarda também! Acrescentando que cariocas adoram sua pizza avermelhada do condimento!

"Quetechape" ou "Quetechupe"?

O paulistano abrasileirou o som da palavra e diz “quetechupe”. Ao contrário dele, o baiano pronuncia “quetechape”, com assento imperialista, temperado com sotaque regional.

Correto ou incorreto? Apenas opção de conceito.

Pizzarias reinventadas em Salvador

Na virada deste século, duas ou três pizzarias ganharam destaque em Salvador, surpreendendo pela qualidade da massa e pelos ingredientes do recheio. Uma delas é a Cia da Pizza.

O responsável, o proprietário Antonio Portela, começou com uma portinha em 2001, fazendo entrega em domicílio. A massa da pizza cresceu e Portela botou mais lenha no fogão.

Em 2007, sua pizzaria ocuparia uma praça inteira no descolado bairro do Rio Vermelho, e traria outros bares, fazendo do quadrilátero um canto notívago dos soteropolitanos.

A Cia da Pizza apóia artistas baianos e, numa dessas parcerias, deu-se o projeto Arte na Caixa. Sara Victória estampou sua arte nas caixas de pizza que vão para clientes do delivery.

Com pizzas premiadas em anos consecutivos (Revista Veja/Salvador e da Revista Gula), a clientela assídua de outros Estados aterrissa na capital e, do aeroporto, vai direto para lá!

Se a casa estiver cheia, o cliente pode aguardar no Boteco da Espera, tomando um trago de pinga mineira ou refrescando-se com uma das famosas roskas (caipiroskas) da Bahia.

Enquanto isso escolhe o que logo irá abocanhar. No cardápio, sugestões clássicas, como Margherita, Quatro Queijos, Pepperoni e, as inusitadas, Berinjela e Gorgonzola, Carpaccio ou Cheddar.

Se quiser variar, peça o Panzone (uma espécie de sanduíche de pizza), a coqueluche é o Gramute - em seu recheio, champignon, presunto, gorgonzola e alho frito dão o tom.

Mas é bom reservar um espaço no estômago para a sobremesa. Existem opções de pizza doce, como a de Rapadura. Além de sobremesas como Petit Gateau e Merengata (morangos, suspiros, chantilly, e couli de morango).

Pra quem está de passagem na cidade, turismo ou trabalho, ou mora em Salvador, a Cia da Pizza é uma ótima opção para comer pizza num ambiente descolado. Com ou sem catchup!

Cia da Pizza: Praça Brigadeiro Faria Rocha, s/n. www.companhiadapizza.com.br

Enquete

Por que o baiano usa ctchup na pizza?

Leia no Canapé do Usuário o que baianos, paulistanos e outros, responderam, colaborando para esta matéria

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Leonardo de Sá é soteropolitano, mora no Rio, tem relações com ficcionistas paulistanos, e nos dá uma versão bem humorada sobre catchup na pizza...

Quetechape na pitsa é uma tecnologia avançada que não deve ser tentada por iniciantes. Na real, trata-se de uma tentativa de fazer a pitsa ficar no quilo, ficar realmente bala, pronta para que o camarada possa comer que só a porra, até ficar empanzinado.

Outro ponto a destacarmos é o ato da aplicação do produto, pois quando um miseravão picale a porra na pitsa e enche a porra toda de quetechape na frente de todo mundo, as piriguetes presentes no recinto se ouriçam todinhas e ficam logo de frete, tornando-se então a iguaria um catalizador adequado aos folguedos e arrodeios pré-calamingau.

 

Esse ritual está ainda longe de alcançar os resultados procriatórios do preparo de uma maniçoba, um sarapatéu ou um mocotó - produtos nativos mais refinados cujo consumo é sempre mais indicado nas condições de temperatura e pressão baianos - mas ainda causa certo impacto, principalmente  sobre as turistas gringas.

Quanto à nomenclatura, acredito que seja uma reação anti-imperialista contra a pronúncia lusitana. Manoel toda vez que ia no supermercado Paes Mendonça gritava pra Maria entre as gôndolas: -Ó Maria, queres quetechupe? E ela respondia: - Aqui não, ô animal! Tem muita gente!

Isso não ficou bem visto nos lares baianos.